Em meio a tantos acontecimentos homofóbicos nos últimos dias, eis que surgem pessoas com ótimo senso de humor para ainda arrancar sorrisos de nossos rostos. Divirta-se com a entrevista bem humorada da nova musa de João Pessoa feita pela drag Cleo Balystar a Kemilly Kayte
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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
A nova estrela de João Pessoa: Kemilly Kayte
Em meio a tantos acontecimentos homofóbicos nos últimos dias, eis que surgem pessoas com ótimo senso de humor para ainda arrancar sorrisos de nossos rostos. Divirta-se com a entrevista bem humorada da nova musa de João Pessoa feita pela drag Cleo Balystar a Kemilly Kaytesexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
APÓS HUMILHAÇÃO, TRANSEXUAL CONSEGUE NOME SOCIAL EM BILHETE ÚNICO
Matéria do jornal A CAPA

Por Marcelo Hailer 10/2/2010 - 13:08
A ativista Carla Machado nem sabia, mas na tarde de ontem se tornaria a primeira mulher transexual da cidade de São Paulo a retirar o Bilhete Único com o nome social. Isso baseando-se na lei municipal (decreto 51.181/2010) que garante tal direito. Também seria chamada de "senhora" pelos jovens atendentes do posto e na hora de tirar foto para a carteirinha escutaria um sonoro "Carla", avisando que era sua vez...Pra muita gente tal relato pode parecer coisa simples, mas para quem está acostumado a ser chamada de "homem" e "traveco", mesmo com aparência e identidade feminina, a vitória acima dificilmente cairá no esquecimento, porém, antes disso..."Seu nome é Alexandre"Na segunda-feira (08/02) Carla foi retirar o seu bilhete único no posto localizado próximo ao metrô Marechal Deodoro. O que deveria ser um procedimento de 30 minutos, no máximo, virou um imbróglio de dois dias que culminou em abertura de processo contra o Estado.Primeiramente Carla foi atendida por uma moça chamada Ana, "muito simpática", diz. Carla explicou à atendente que há uma lei municipal que a permite usar o nome social em documentos. A moça não questionou, mas quando levou o caso ao responsável pelo posto, o senhor José Lima, este disse que sob a sua gerência "isso não iria acontecer".Ao escutar a negativa, Machado tentou explicar ao supervisor do posto de atendimento que já havia passado por uma cirurgia de adequação genital e que tem um processo judicial em tramitação para a mudança do nome em seus documentos. Sem sucesso. Lima nem a deixou terminar de falar e começou a chamá-la de "senhor"."Seguinte meu senhor", começou o gerente, "aqui não tem nada disso, seu nome é Alexandre", em seguida avisou que o "seu problema pessoal você pode brigar com quem quiser, com a justiça, mas aqui é do jeito que eu quiser". Não houve acordo e o sujeito começou a gritar e chamá-la pelo nome de registro e dizer que, se ela insistisse iria processá-la por "falsidade ideológica".Carla ainda tentou explicar a respeito da lei municipal e de seu decreto, mas não houve acordo e as grosserias homofóbicas continuaram. "Que decreto nada, ninguém seria louco de assinar um negócio desses"."O corpo é de mulher, mas você é homem"Carla resolveu voltar ao mesmo posto no dia seguinte, terça-feira (09/02), mas desta vez acompanhada de seu amigo Jack e com a reportagem do A Capa. Todos a paisana, como se fossem clientes em busca de informação. O relógio marcava 13h30 e Carla foi avisada de que o gerente estava em horário de almoço. Algum tempo depois chegaram Franco Reinaudo, coordenador da CADS (Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual) e Gustavo Menezes, advogado da órgão.Quinze minutos depois o responsável pelo posto de atendimento, José Lima, chegou. Com o palito de dente no canto da boca e expressando fadiga pós-refeição, o sujeito já olhou para Carla e soltou um "você de novo". Carla novamente começou a explicar e o gerente bufava e disparou "em outro lugar pode ser que façam, aqui não".Nesse momento Gustavo se identificou enquanto advogado de Carla e começou a explicar a situação ao atendente e que ele poderia ser enquadrado na lei estadual 10.948/01, que pune administrativamente atos homofóbico em São Paulo. O homem fez cara de poucos amigos e não se intimidou."Aqui eu vejo outra pessoa, o corpo pode ser de mulher, mas é homem", disse o gerente. Pacientemente Gustavo explicou que Carla é mulher transexual, que havia passado pela cirurgia, falou sobre a lei e mostrou o decreto ao atendente. Não houve acordo. Menezes o informou de havia testemunhas de que ele se negara a dar entrada no Bilhete Único com o nome social e de que ele seria intimado a depor. Assim, todos se retiraram do local.Por conta do posto de Bilhete único estar sob a gerência do Metrô, Franco Reinaudo não pode intervir enquanto autoridade municipal e fazer com que o processo da retirada do bilhete fosse iniciado. A história não ficaria por ali. O advogado e a reportagem acompanharam Carla até outro posto. O endereço era no Shopping Light, no centro de São Paulo.Vinte diasCom o decreto em mãos, chegamos ao posto do Bilhete Único localizado no Viaduto do Chá, dentro do Shopping Light por volta das 15h. O movimento era mais constante do que o endereço anterior. Carla pegou uma senha e aguardou ser chamada. Trinta minutos depois chamaram pelo seu número.Carla explicou ao jovem atendente o que estava buscando. Muito simpático, o rapaz avisou que iria ligar para a central e se informar a respeito do decreto e de que maneira deveria prosseguir. Cinco minutos mais tarde o jovem retornou e avisou que estava autorizado a fazer o Bilhete Único com o nome social de Carla. Porém, o funcionário avisou que não tinha o formulário necessário. Feliz, Gustavo avisou que o tinha em seu pen drive.Documentos impressos e assinados. Carla tirou foto para o documento e foi avisada de que em "vinte dias" o Bilhete Único estará pronto. Ao receber tal informação Carla não se conteve e afirmou que de agora em diante não vai mais usar o RG, apenas o Bilhete. À reportagem, o atendente disse que a direção avisou que irão substituir todo o sistema e adequá-lo a nova lei e que há uma demanda grande de travestis e transexuais com questão idêntica a de Carla.Mesmo vitoriosa Carla decidiu que ia abrir processo contra a administração do Metrô. Às 19h o processo já estava aberto, na Decradi - Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância.À reportagem do A Capa Carla disse que está se "sentindo vitoriosa" e que nunca tinha se dado conta de um decreto "fora do papel". Sobre o documento em si, ela revela que em seus "37 anos de vida nunca poderia imaginar que teria um documento com a minha foto dizendo que eu sou Carla, pois a justiça me nega isso há anos".A trans, no entanto, não esquece a humilhação sofrida. "A cara de nojo daquele homem, representa para mim o mesmo nojo que o Estado sente por pessoas como eu", desabafou. Para ela tal situação é o Estado a humilhando desde que nasceu. "Aquele cara representa o Estado que me humilha".A história se encerrou na Decradi, quando Carla Machado abriu o processo. Se Carla é a primeira mulher trans da cidade de São Paulo a retirar o Bilhete Único com o nome social, com certeza não será a última a processar o Estado por homofobia e discriminação.
A ativista Carla Machado nem sabia, mas na tarde de ontem se tornaria a primeira mulher transexual da cidade de São Paulo a retirar o Bilhete Único com o nome social. Isso baseando-se na lei municipal (decreto 51.181/2010) que garante tal direito. Também seria chamada de "senhora" pelos jovens atendentes do posto e na hora de tirar foto para a carteirinha escutaria um sonoro "Carla", avisando que era sua vez...Pra muita gente tal relato pode parecer coisa simples, mas para quem está acostumado a ser chamada de "homem" e "traveco", mesmo com aparência e identidade feminina, a vitória acima dificilmente cairá no esquecimento, porém, antes disso..."Seu nome é Alexandre"Na segunda-feira (08/02) Carla foi retirar o seu bilhete único no posto localizado próximo ao metrô Marechal Deodoro. O que deveria ser um procedimento de 30 minutos, no máximo, virou um imbróglio de dois dias que culminou em abertura de processo contra o Estado.Primeiramente Carla foi atendida por uma moça chamada Ana, "muito simpática", diz. Carla explicou à atendente que há uma lei municipal que a permite usar o nome social em documentos. A moça não questionou, mas quando levou o caso ao responsável pelo posto, o senhor José Lima, este disse que sob a sua gerência "isso não iria acontecer".Ao escutar a negativa, Machado tentou explicar ao supervisor do posto de atendimento que já havia passado por uma cirurgia de adequação genital e que tem um processo judicial em tramitação para a mudança do nome em seus documentos. Sem sucesso. Lima nem a deixou terminar de falar e começou a chamá-la de "senhor"."Seguinte meu senhor", começou o gerente, "aqui não tem nada disso, seu nome é Alexandre", em seguida avisou que o "seu problema pessoal você pode brigar com quem quiser, com a justiça, mas aqui é do jeito que eu quiser". Não houve acordo e o sujeito começou a gritar e chamá-la pelo nome de registro e dizer que, se ela insistisse iria processá-la por "falsidade ideológica".Carla ainda tentou explicar a respeito da lei municipal e de seu decreto, mas não houve acordo e as grosserias homofóbicas continuaram. "Que decreto nada, ninguém seria louco de assinar um negócio desses"."O corpo é de mulher, mas você é homem"Carla resolveu voltar ao mesmo posto no dia seguinte, terça-feira (09/02), mas desta vez acompanhada de seu amigo Jack e com a reportagem do A Capa. Todos a paisana, como se fossem clientes em busca de informação. O relógio marcava 13h30 e Carla foi avisada de que o gerente estava em horário de almoço. Algum tempo depois chegaram Franco Reinaudo, coordenador da CADS (Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual) e Gustavo Menezes, advogado da órgão.Quinze minutos depois o responsável pelo posto de atendimento, José Lima, chegou. Com o palito de dente no canto da boca e expressando fadiga pós-refeição, o sujeito já olhou para Carla e soltou um "você de novo". Carla novamente começou a explicar e o gerente bufava e disparou "em outro lugar pode ser que façam, aqui não".Nesse momento Gustavo se identificou enquanto advogado de Carla e começou a explicar a situação ao atendente e que ele poderia ser enquadrado na lei estadual 10.948/01, que pune administrativamente atos homofóbico em São Paulo. O homem fez cara de poucos amigos e não se intimidou."Aqui eu vejo outra pessoa, o corpo pode ser de mulher, mas é homem", disse o gerente. Pacientemente Gustavo explicou que Carla é mulher transexual, que havia passado pela cirurgia, falou sobre a lei e mostrou o decreto ao atendente. Não houve acordo. Menezes o informou de havia testemunhas de que ele se negara a dar entrada no Bilhete Único com o nome social e de que ele seria intimado a depor. Assim, todos se retiraram do local.Por conta do posto de Bilhete único estar sob a gerência do Metrô, Franco Reinaudo não pode intervir enquanto autoridade municipal e fazer com que o processo da retirada do bilhete fosse iniciado. A história não ficaria por ali. O advogado e a reportagem acompanharam Carla até outro posto. O endereço era no Shopping Light, no centro de São Paulo.Vinte diasCom o decreto em mãos, chegamos ao posto do Bilhete Único localizado no Viaduto do Chá, dentro do Shopping Light por volta das 15h. O movimento era mais constante do que o endereço anterior. Carla pegou uma senha e aguardou ser chamada. Trinta minutos depois chamaram pelo seu número.Carla explicou ao jovem atendente o que estava buscando. Muito simpático, o rapaz avisou que iria ligar para a central e se informar a respeito do decreto e de que maneira deveria prosseguir. Cinco minutos mais tarde o jovem retornou e avisou que estava autorizado a fazer o Bilhete Único com o nome social de Carla. Porém, o funcionário avisou que não tinha o formulário necessário. Feliz, Gustavo avisou que o tinha em seu pen drive.Documentos impressos e assinados. Carla tirou foto para o documento e foi avisada de que em "vinte dias" o Bilhete Único estará pronto. Ao receber tal informação Carla não se conteve e afirmou que de agora em diante não vai mais usar o RG, apenas o Bilhete. À reportagem, o atendente disse que a direção avisou que irão substituir todo o sistema e adequá-lo a nova lei e que há uma demanda grande de travestis e transexuais com questão idêntica a de Carla.Mesmo vitoriosa Carla decidiu que ia abrir processo contra a administração do Metrô. Às 19h o processo já estava aberto, na Decradi - Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância.À reportagem do A Capa Carla disse que está se "sentindo vitoriosa" e que nunca tinha se dado conta de um decreto "fora do papel". Sobre o documento em si, ela revela que em seus "37 anos de vida nunca poderia imaginar que teria um documento com a minha foto dizendo que eu sou Carla, pois a justiça me nega isso há anos".A trans, no entanto, não esquece a humilhação sofrida. "A cara de nojo daquele homem, representa para mim o mesmo nojo que o Estado sente por pessoas como eu", desabafou. Para ela tal situação é o Estado a humilhando desde que nasceu. "Aquele cara representa o Estado que me humilha".A história se encerrou na Decradi, quando Carla Machado abriu o processo. Se Carla é a primeira mulher trans da cidade de São Paulo a retirar o Bilhete Único com o nome social, com certeza não será a última a processar o Estado por homofobia e discriminação.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
DESRESPEITO A IDENTIDADE DE GÊNERO!
Fiquei chocada ao abrir meus e-mails e me deparar com este lamentável acontecimento.
Vejam até onde pode chegar a intolerância absurda dos homofóbicos.
Relato de Carla Machado:
"Amigosestou dividindo com vocês uma situação por que passei hoje em São Paulo no Posto de Bilhete Único Especial - estação Marechal Deodoro do metrô.Levei algumas horas pra conseguir me reequilibrar e escrever este relato, na forma de resumo do que aconteceu durante mais ou menos uma hora dentro desse recinto público, e espero que sirva como um caso que expresse a vivência de tantas outras pessoas que devem passar por estes problemas e sentimentos todos os dias. Espero que consigamos mudar esta e outras formas de se lidar com um cidadão, especialmente nos ambientes de serviço público... ----------------------- Hoje, 8 de fevereiro de 2010, após uma longa jornada em médicos, peritos, assistentes sociais e outros corredores do SUS, fui, de posse dos documentos necessários, fazer o cadastro para obtenção do meu bilhete único especial, no posto da estação Mrechal Deodoro. Na semana passada eu já havia ido ao posto do Shopping Light tomar as devidas informações com relação a questão do uso nome social nos laudos médicos necessários, para evitar problemas, pois o meu cartão do SUS está registrado com meu nome social em simpáticas e vitoriosas letras. A atendente daquele posto me disse que não haveria problemas, e que eles encaminhariam o processo com o nome conforme o que constasse nos laudos médicos. Chegando lá hoje então, uma simpática atendente com o nome de Ana analisou a documentação, e percebeu que nos laudos constavam meu nome social e nome de registro. Após todos os esclarecimentos de praxe, ela me disse "Sem problemas, eu só preciso verificar com meu supervisor como iremos fazer isso, pois o espaço para impressão do nome no bilhete é pequeno". Ela chamou o supervisor, que escutou a questão que ela colocava. Nossa, foi impressionante a mudança nos seus olhos, conforme ela falava. Ele se virou pra mim e disse: "Cadê o RG?". Quando lhe ofereci começaram os insultos. Disse "NÃO TEM NADA DISSO. TEM QUE TRAZER UM LAUDO COM SEU NOME" Eu então tentei explicar que o meu nome é Carla, que eu passei por uma cirurgia de adequação genital, por ser transexual, e que tenho um processo judicial ainda em tramitação para mudança, etc. e ele foi logo me cortando, bem alto e em bom tom: "SEGUINTE MEU SENHOR, AQUI NÃO TEM NADA DISSO. SEU NOME É ALEXANDRE. SEU PROBLEMA PESSOAL VOCÊ PODE BRIGAR COM QUEM QUISER, COM A JUSTIÇA, MAS AQUI É DO JEITO QUE EU QUISER". Olhei pros lados e a essas alturas todos tinham parado de fazer tudo, os atendentes, os usuários, estavam todos olhando pra minha cara. Eu pedi a ele que pelo menos me tratasse em público com meu nome social, além do mais estava uma ila de pessoas que aguardavam atendimento, todas me olhando. Ele respondeu "Eu vou tratar com este nome que está aqui no RG". Eu insisti, com toda a educação e voz baixinha que eu tenho, como vocês me conhecem, que por favor respeitasse a minha identidade de gênero. Inclusive o meu cartão do SUS apresentado a ele já traz a menção ao sexo FEMININO, conforme pedido pelos médicos da UBS onde sou atendida, que constatam minha história. Ele respondeu perante todos: "QUE IDENTIDADE NADA. VOCÊ É UM HOMEM, RAPAZ" Eu insisti em perguntar se ele não poderia me respeitar como cidadã. Ele nem me deixou terminar e respondeu com todas as letras "NÃO, NÃO VOU RESPEITAR. AQUI O TRABALHO É PRESTAR ATENDIMENTO" Eu falei que existia um decreto municipal do uso do nome social na prefeitura muito recente, que talvez ainda não tivesse chegado ao seu conhecimento, etc.. ele me cortou: "QUE HISTÓRIA DE DECRETO, NINGUÉM É LOUCO DE ASSINAR UM NEGÓCIO DESSES" Eu insisti para que ele procurasse saber. Ele foi até o telefone levando meus documentos. Passou um minuto e voltou dizendo alto me devolvendo o RG: "ALEXANDRE, não existe isso". E voltou para o fundo da sala. Vendo todo aquele constrangimento, que já se extendia por mais de 10 minutos, a atendente me sugeriu "Vamos fazer no seu nome de registro mesmo, pra você evitar mais problemas, etc.." Eu disse que sim, que assim seria. E então ela começou a registrar o cadastro com o no nome de registro, e a surpresa maior foi que ele gritou lá do fundo da sala "O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? EU NÃO VOU ACEITAR ESSE LAUDO". Eu ainda insisti, com educação, perguntando se ele não poderia levar a justificativa à SP Trans com cópia do meu cartão do SUS, pra justificar que o médico havia colocado os dois nomes.. ele respondeu: "NÃO VOU FAZER NADA, ESSE LAUDO É DE UMA PESSOA QUE NÃO EXISTE". Eu disse a ele que eu existia sim, que estava ali, uma cidadã, correta, limpa, de 37 anos... Ele apenas respondeu que não existia, e que se eu insistisse, ele disse "EU AINDA MANDO TE LEVAR POR FALSIDADE IDEOLÓGICA" Nessa hora as próprias funcionárias pareciam não acreditar Eu fui até um senhor que estava saindo perguntar se ele poderia ser minha testemunha e todos ficaram observando, ele pareceu constrangido pelo olhar do sr. Lima e apenas me negou dizendo .. "eu tenho medo que e fizer isso, do jeito que eu vi aqui, nem os meus documentos eles fazerem". Eu voltei até a funcionária e ainda perguntei a ela.. "Você pode confirmar o que você está vendo aqui, se eu chamar um diretor?", ela respondeu "Infelizmente eu não posso, pois irei perder meu emprego". Eu peguei o telefone e comecei a ligar para o CADS, depois Centro de Referência, etc, mas naquele horário as pessoas estavam em reuniões. Gastei todos meus créditos em mais de 20 minutos de conversa, enquanto eles fechavam as portas. A assistente social do CR me retornou dizendo que estava tentando entrar em contato com o advogado do Centro. Nesse momento as portas estavam fechadas, e estava eu lá, com uns 5 ou 6 seguranças fechada dentro daquela sala..Eu via o sr Lima a uns 10 metros de distância rindo com eles contando a cada um que chegava sobre mim, e eu escutei ele pronunciando a palavra "TRAVECO" por diversas vezes. E os seguranças se curvavam de rir. A cena, eu gostaria muito que este relato chegasse à SPTrans e que eles pedissem a gravação das câmeras de segurança pra comprovar as imagens. Vão poder ver e imaginar como eu estava me sentindo - um animalzinho acorrentado no meio de um circo. Nessa hora eu, ainda sentada no banquinho da espera, liguei para um amigo da Secretaria de Justiça, ele me orientou o que eu deveria fazer, e disse que se eu ficasse ali eu estava arriscada a ser agradida. Mas que o correto seria eu procurar mesmo a ajuda policial se isso ocorresse. Eu perguntei então ao segurança se eu poderia ficar ali esperando alguém pra me ajudar a resolver, ele foi ter com o sr. Lima, que nesse momento parou de rir, e voltou dizendo: "Ele disse que se você ficar aqui VAI EMBOLAR O MEIO DE CAMPO". Saiu o sr Lima e logo voltou, com mais dois seguranças, desta vez armados. Uma era mulher. Eu achei que fossem policiais e pensei.. "Bom, que bom, agora ele vai pelo menos parar com os insultos". Mas acho que eram seguranças do próprio metrô. E ficaram de longe. Em nenhum momento me exaltei. Mesmo tentei manter a serenidade pra tentar fazer com que ele me escutasse e mudasse a imagem que parecia ter de uma pessoa como eu. Nessa hora um medo tomou conta de mim. Eu já comecei a imaginar o que eu poderia sofrer lá dentro com aqueles seguranças armados e resolvi sair. Quando passei no meio deles, pareciam que queriam me chutar. Um deles abriu a porta, e ainda deu pra escutar da calçada e perceber com rabo de olho, o riso de escárnio desse senhor José Lima. Bem transtornada, nem sei como consegui caminhar de volta ao posto de saúde da Barra Funda, onde fui até a assistente social para "corrigir" meu nome no laudo, conforme ditado pelo responsável pelo posto José Lima, mas a funcionária me encorajou a fazer valer meu direito. E ainda acrescentou.. "existe um decreto. Assinado pelo sr. Kassab. Acho que o Kassab não iria gostar nadinha de saber que estão fazendo isso com o que ele determinou". Daí eu decidi..Amanhã eu irei novamente ao posto Barra Funda. E tentarei novamente fazer o meu cadastro para emissão do meu novo bilhete. Mas desta vez vou com testemunha. Nestes meus 37 anos, e 5 aprendendo com a militância dos direitos humanos LGBT, esta é a primeira vez que trago a público uma denúncia de discriminação e preconceito ocorrido comigo. As frases que foram proferidas pelo senhor José Lima eu coloquei a íntegra, exatamente como saíram da boca dele, sem nenhum acnto a mais, nenhum a menos. Até porque lembro de cada palavra, até porque cada palavra ficará guardada, infelizmente, e como tantas outras violências que sofremos todos os dias, não conseguimos apagar tão fácil. Isto aí acima acontece todos os dias, em diferentes graus de intensidade de preconceito, mas agora com esse decreto, me sinto no direito de publicamente cobrar o direito que me disseram que eu tenho. E que nunca havia cobrado. Como todas as outras travestis e mulheres e homens transexuais, vivemos sendo constrangidas em muitos dos momentos dos nossos dias, por conta de ter atributos diferentes do sexo que aparentamos. Ou porque nos atribuíram nome, sexo, e comportamento que são diferentes do que nós temos na realidade, e da forma como realmente vivemos. E agora está na hora de faermos jus às poucas vitórias que conquistamos. Carla Machado"
Vejam até onde pode chegar a intolerância absurda dos homofóbicos.
Relato de Carla Machado:
"Amigosestou dividindo com vocês uma situação por que passei hoje em São Paulo no Posto de Bilhete Único Especial - estação Marechal Deodoro do metrô.Levei algumas horas pra conseguir me reequilibrar e escrever este relato, na forma de resumo do que aconteceu durante mais ou menos uma hora dentro desse recinto público, e espero que sirva como um caso que expresse a vivência de tantas outras pessoas que devem passar por estes problemas e sentimentos todos os dias. Espero que consigamos mudar esta e outras formas de se lidar com um cidadão, especialmente nos ambientes de serviço público... ----------------------- Hoje, 8 de fevereiro de 2010, após uma longa jornada em médicos, peritos, assistentes sociais e outros corredores do SUS, fui, de posse dos documentos necessários, fazer o cadastro para obtenção do meu bilhete único especial, no posto da estação Mrechal Deodoro. Na semana passada eu já havia ido ao posto do Shopping Light tomar as devidas informações com relação a questão do uso nome social nos laudos médicos necessários, para evitar problemas, pois o meu cartão do SUS está registrado com meu nome social em simpáticas e vitoriosas letras. A atendente daquele posto me disse que não haveria problemas, e que eles encaminhariam o processo com o nome conforme o que constasse nos laudos médicos. Chegando lá hoje então, uma simpática atendente com o nome de Ana analisou a documentação, e percebeu que nos laudos constavam meu nome social e nome de registro. Após todos os esclarecimentos de praxe, ela me disse "Sem problemas, eu só preciso verificar com meu supervisor como iremos fazer isso, pois o espaço para impressão do nome no bilhete é pequeno". Ela chamou o supervisor, que escutou a questão que ela colocava. Nossa, foi impressionante a mudança nos seus olhos, conforme ela falava. Ele se virou pra mim e disse: "Cadê o RG?". Quando lhe ofereci começaram os insultos. Disse "NÃO TEM NADA DISSO. TEM QUE TRAZER UM LAUDO COM SEU NOME" Eu então tentei explicar que o meu nome é Carla, que eu passei por uma cirurgia de adequação genital, por ser transexual, e que tenho um processo judicial ainda em tramitação para mudança, etc. e ele foi logo me cortando, bem alto e em bom tom: "SEGUINTE MEU SENHOR, AQUI NÃO TEM NADA DISSO. SEU NOME É ALEXANDRE. SEU PROBLEMA PESSOAL VOCÊ PODE BRIGAR COM QUEM QUISER, COM A JUSTIÇA, MAS AQUI É DO JEITO QUE EU QUISER". Olhei pros lados e a essas alturas todos tinham parado de fazer tudo, os atendentes, os usuários, estavam todos olhando pra minha cara. Eu pedi a ele que pelo menos me tratasse em público com meu nome social, além do mais estava uma ila de pessoas que aguardavam atendimento, todas me olhando. Ele respondeu "Eu vou tratar com este nome que está aqui no RG". Eu insisti, com toda a educação e voz baixinha que eu tenho, como vocês me conhecem, que por favor respeitasse a minha identidade de gênero. Inclusive o meu cartão do SUS apresentado a ele já traz a menção ao sexo FEMININO, conforme pedido pelos médicos da UBS onde sou atendida, que constatam minha história. Ele respondeu perante todos: "QUE IDENTIDADE NADA. VOCÊ É UM HOMEM, RAPAZ" Eu insisti em perguntar se ele não poderia me respeitar como cidadã. Ele nem me deixou terminar e respondeu com todas as letras "NÃO, NÃO VOU RESPEITAR. AQUI O TRABALHO É PRESTAR ATENDIMENTO" Eu falei que existia um decreto municipal do uso do nome social na prefeitura muito recente, que talvez ainda não tivesse chegado ao seu conhecimento, etc.. ele me cortou: "QUE HISTÓRIA DE DECRETO, NINGUÉM É LOUCO DE ASSINAR UM NEGÓCIO DESSES" Eu insisti para que ele procurasse saber. Ele foi até o telefone levando meus documentos. Passou um minuto e voltou dizendo alto me devolvendo o RG: "ALEXANDRE, não existe isso". E voltou para o fundo da sala. Vendo todo aquele constrangimento, que já se extendia por mais de 10 minutos, a atendente me sugeriu "Vamos fazer no seu nome de registro mesmo, pra você evitar mais problemas, etc.." Eu disse que sim, que assim seria. E então ela começou a registrar o cadastro com o no nome de registro, e a surpresa maior foi que ele gritou lá do fundo da sala "O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? EU NÃO VOU ACEITAR ESSE LAUDO". Eu ainda insisti, com educação, perguntando se ele não poderia levar a justificativa à SP Trans com cópia do meu cartão do SUS, pra justificar que o médico havia colocado os dois nomes.. ele respondeu: "NÃO VOU FAZER NADA, ESSE LAUDO É DE UMA PESSOA QUE NÃO EXISTE". Eu disse a ele que eu existia sim, que estava ali, uma cidadã, correta, limpa, de 37 anos... Ele apenas respondeu que não existia, e que se eu insistisse, ele disse "EU AINDA MANDO TE LEVAR POR FALSIDADE IDEOLÓGICA" Nessa hora as próprias funcionárias pareciam não acreditar Eu fui até um senhor que estava saindo perguntar se ele poderia ser minha testemunha e todos ficaram observando, ele pareceu constrangido pelo olhar do sr. Lima e apenas me negou dizendo .. "eu tenho medo que e fizer isso, do jeito que eu vi aqui, nem os meus documentos eles fazerem". Eu voltei até a funcionária e ainda perguntei a ela.. "Você pode confirmar o que você está vendo aqui, se eu chamar um diretor?", ela respondeu "Infelizmente eu não posso, pois irei perder meu emprego". Eu peguei o telefone e comecei a ligar para o CADS, depois Centro de Referência, etc, mas naquele horário as pessoas estavam em reuniões. Gastei todos meus créditos em mais de 20 minutos de conversa, enquanto eles fechavam as portas. A assistente social do CR me retornou dizendo que estava tentando entrar em contato com o advogado do Centro. Nesse momento as portas estavam fechadas, e estava eu lá, com uns 5 ou 6 seguranças fechada dentro daquela sala..Eu via o sr Lima a uns 10 metros de distância rindo com eles contando a cada um que chegava sobre mim, e eu escutei ele pronunciando a palavra "TRAVECO" por diversas vezes. E os seguranças se curvavam de rir. A cena, eu gostaria muito que este relato chegasse à SPTrans e que eles pedissem a gravação das câmeras de segurança pra comprovar as imagens. Vão poder ver e imaginar como eu estava me sentindo - um animalzinho acorrentado no meio de um circo. Nessa hora eu, ainda sentada no banquinho da espera, liguei para um amigo da Secretaria de Justiça, ele me orientou o que eu deveria fazer, e disse que se eu ficasse ali eu estava arriscada a ser agradida. Mas que o correto seria eu procurar mesmo a ajuda policial se isso ocorresse. Eu perguntei então ao segurança se eu poderia ficar ali esperando alguém pra me ajudar a resolver, ele foi ter com o sr. Lima, que nesse momento parou de rir, e voltou dizendo: "Ele disse que se você ficar aqui VAI EMBOLAR O MEIO DE CAMPO". Saiu o sr Lima e logo voltou, com mais dois seguranças, desta vez armados. Uma era mulher. Eu achei que fossem policiais e pensei.. "Bom, que bom, agora ele vai pelo menos parar com os insultos". Mas acho que eram seguranças do próprio metrô. E ficaram de longe. Em nenhum momento me exaltei. Mesmo tentei manter a serenidade pra tentar fazer com que ele me escutasse e mudasse a imagem que parecia ter de uma pessoa como eu. Nessa hora um medo tomou conta de mim. Eu já comecei a imaginar o que eu poderia sofrer lá dentro com aqueles seguranças armados e resolvi sair. Quando passei no meio deles, pareciam que queriam me chutar. Um deles abriu a porta, e ainda deu pra escutar da calçada e perceber com rabo de olho, o riso de escárnio desse senhor José Lima. Bem transtornada, nem sei como consegui caminhar de volta ao posto de saúde da Barra Funda, onde fui até a assistente social para "corrigir" meu nome no laudo, conforme ditado pelo responsável pelo posto José Lima, mas a funcionária me encorajou a fazer valer meu direito. E ainda acrescentou.. "existe um decreto. Assinado pelo sr. Kassab. Acho que o Kassab não iria gostar nadinha de saber que estão fazendo isso com o que ele determinou". Daí eu decidi..Amanhã eu irei novamente ao posto Barra Funda. E tentarei novamente fazer o meu cadastro para emissão do meu novo bilhete. Mas desta vez vou com testemunha. Nestes meus 37 anos, e 5 aprendendo com a militância dos direitos humanos LGBT, esta é a primeira vez que trago a público uma denúncia de discriminação e preconceito ocorrido comigo. As frases que foram proferidas pelo senhor José Lima eu coloquei a íntegra, exatamente como saíram da boca dele, sem nenhum acnto a mais, nenhum a menos. Até porque lembro de cada palavra, até porque cada palavra ficará guardada, infelizmente, e como tantas outras violências que sofremos todos os dias, não conseguimos apagar tão fácil. Isto aí acima acontece todos os dias, em diferentes graus de intensidade de preconceito, mas agora com esse decreto, me sinto no direito de publicamente cobrar o direito que me disseram que eu tenho. E que nunca havia cobrado. Como todas as outras travestis e mulheres e homens transexuais, vivemos sendo constrangidas em muitos dos momentos dos nossos dias, por conta de ter atributos diferentes do sexo que aparentamos. Ou porque nos atribuíram nome, sexo, e comportamento que são diferentes do que nós temos na realidade, e da forma como realmente vivemos. E agora está na hora de faermos jus às poucas vitórias que conquistamos. Carla Machado"
sábado, 16 de janeiro de 2010
HOMENÁGEM A THELMA LIPP

Biografias Trans da CPLP¹ - Thelma Lipp
Thelma Lipp (São Paulo, 1962 — São Paulo, 9 de novembro de 2004) foi uma modelo e atriz transexual brasileira.Sucesso nos anos 80 e 90, Thelma Lipp foi jurada do quadro "Eles e Elas", do Clube do Bolinha, e atuou em diversas peças de teatro, filmes, além de posar nua em revistas eróticas masculinas. Apesar de não ter sido geneticamente uma mulher, Thelma foi, no auge de sua beleza, considerada uma musa, ao lado de Xuxa, Luiza Brunet e Roberta Close.Desde criança já era fisicamente muito feminina. Sempre contou com o apoio da família, tanto que o nome Thelma Lipp foi dado por sua própria mãe. Aos 16 anos, ela já causava admiração e fascínio por suas beleza e feminilidade, mesmo sem o uso de hormônios artificiais. Alguns anos mais tarde seria uma das belezas mais celebradas do Brasil.No começo dos anos de 80, Thelma surgiu como uma resposta paulistana à transexual carioca Roberta Close. Ambas chegaram a disputar, durante toda a década, capas de revistas de todo o Brasil. Roberta fazia o tipo “mulher fatal”, enquanto Thelma o gênero “garotinha”. Contudo, ambas de belezas extraordinárias. A surpreendente beleza abriu-lhe portas, trouxe fama, admiração, amigos e tudo aquilo que um rosto e um corpo belos – acompanhados de inteligência – podiam trazer. Contudo, o fato de ser transgênero tornou sua vida muito difícil.Ocaso e breve ressurgimento da estrelaApós brilhar em toda década de 80, Thelma se viu nocauteada pelo fenômeno drag queen da década de 90. O ostracismo bateu à sua porta. Sem trabalho e sem dinheiro ela buscou a prostituição. Sua vida já não tinha o mesmo glamur de seu tempo de celebridade do mundo artístico. Logo, ela começou a sofrer de síndrome do pânico, enclausurando-se durante cinco anos em seu apartamento a maior parte do tempo. Para fugir da síndrome, Thelma buscou as drogas, o que agravou ainda mais seus problemas.Auxiliada pelo Programa para Dependentes Químicos do Coronel Ferrarini, no final dos anos 90, em São Paulo, ela conseguiu vencer o vício. Tornou-se então uma porta-voz na luta para a recuperação de drogados. Teve um breve momento de retomada à carreira, ao fazer algumas peças e teatro e televisão. A retomada da carreira lhe trouxe de volta um pouco de confiança e da auto-estima de outrora.Em 1987, os cineastas suíços Pierre-Alain Meier e Matthias Källin vieram ao Brasil para filmar "Dores de Amor", filme-documentário sobre a vida de quatro transgêneros brasileiros em São Paulo. O diretor Pierre-Alain não resistiu a beleza e feminilidade de Thelma e se apaixonou. Contudo, não houve reciprocidade por parte dela. Mesmo assim, pouco tempo depois, o cineasta faria o filme Thelma, ambientado na Grécia, que conta a história de um homem comum que se apaixona por uma transexual. A produção foi lançada mundialmente em 2001.A morte da divaEm 2001 foi convidada a fazer parte do casting do filme Carandiru, de Hector Babenco, no qual faria o papel de uma travesti presidiária de nome "Lady Di". Entretanto, apesar de ter participado dos ensaios com os outros atores e de ter feito laboratório por meses, sua indicação foi preterida por motivos de marketing. Em seu lugar, entrou o ator Rodrigo Santoro. Esse foi um golpe duro para Thelma, que já estava fragilizada e tentando se recuperar.Já inveteradamente viciada em drogas, em agosto de 2003 ela foi internada em uma clínica de recuperação para dependentes químicos em Atibaia, interior de São Paulo, onde permaneceu até fevereiro de 2004. Após se recuperar, decidiu que não queria mais uma vida de agitação e flashes. Cortou os cabelos e foi para a mesa de cirurgia para retirar as próteses de silicone. Decidiu se mudar com a família para o Jaçanã, bairro paulistano onde passou sua infância. Vivendo pacatamente, fazia planos para a nova vida, quando, repentinamente, na manhã de 9 de novembro de 2004, acordou com o lado esquerdo do corpo paralisado. Era uma neurotoxoplasmose, doença degenerativa que, com o tempo, paralisa órgãos do corpo.Foi internada durante um mês e voltou para casa, vindo a óbito por insuficiência pulmonar na véspera de Natal de 2004.Vida artísticaTeatro•Terezinha de Jesus, de Ronaldo Ciambroni•Filhas da Mãe•Mil e uma noitesTelevisão•Jurada efetiva do quadro Eles & Elas do Clube do Bolinha (TV Bandeirantes)•Participações no Programa Hebe CamargoCinema•Dores de amor, de Pierre-Alain Meier e Matthias Kälin•Thelma, de Pierre-Alain MeierMída impressa•Revista Playboy•O Estado de São Paulo•Revista Transex•Revista Contigo!•Nova Cosmopolitan (editoriais)•Revista Inglesa WEOutros•Festival de Locarno, Suíça (avant-première do filme Thelma)•Campanhas publicitárias diversas para a mídia brasileiraFonte: Wikipédia e GMagazine
Thelma Lipp (São Paulo, 1962 — São Paulo, 9 de novembro de 2004) foi uma modelo e atriz transexual brasileira.Sucesso nos anos 80 e 90, Thelma Lipp foi jurada do quadro "Eles e Elas", do Clube do Bolinha, e atuou em diversas peças de teatro, filmes, além de posar nua em revistas eróticas masculinas. Apesar de não ter sido geneticamente uma mulher, Thelma foi, no auge de sua beleza, considerada uma musa, ao lado de Xuxa, Luiza Brunet e Roberta Close.Desde criança já era fisicamente muito feminina. Sempre contou com o apoio da família, tanto que o nome Thelma Lipp foi dado por sua própria mãe. Aos 16 anos, ela já causava admiração e fascínio por suas beleza e feminilidade, mesmo sem o uso de hormônios artificiais. Alguns anos mais tarde seria uma das belezas mais celebradas do Brasil.No começo dos anos de 80, Thelma surgiu como uma resposta paulistana à transexual carioca Roberta Close. Ambas chegaram a disputar, durante toda a década, capas de revistas de todo o Brasil. Roberta fazia o tipo “mulher fatal”, enquanto Thelma o gênero “garotinha”. Contudo, ambas de belezas extraordinárias. A surpreendente beleza abriu-lhe portas, trouxe fama, admiração, amigos e tudo aquilo que um rosto e um corpo belos – acompanhados de inteligência – podiam trazer. Contudo, o fato de ser transgênero tornou sua vida muito difícil.Ocaso e breve ressurgimento da estrelaApós brilhar em toda década de 80, Thelma se viu nocauteada pelo fenômeno drag queen da década de 90. O ostracismo bateu à sua porta. Sem trabalho e sem dinheiro ela buscou a prostituição. Sua vida já não tinha o mesmo glamur de seu tempo de celebridade do mundo artístico. Logo, ela começou a sofrer de síndrome do pânico, enclausurando-se durante cinco anos em seu apartamento a maior parte do tempo. Para fugir da síndrome, Thelma buscou as drogas, o que agravou ainda mais seus problemas.Auxiliada pelo Programa para Dependentes Químicos do Coronel Ferrarini, no final dos anos 90, em São Paulo, ela conseguiu vencer o vício. Tornou-se então uma porta-voz na luta para a recuperação de drogados. Teve um breve momento de retomada à carreira, ao fazer algumas peças e teatro e televisão. A retomada da carreira lhe trouxe de volta um pouco de confiança e da auto-estima de outrora.Em 1987, os cineastas suíços Pierre-Alain Meier e Matthias Källin vieram ao Brasil para filmar "Dores de Amor", filme-documentário sobre a vida de quatro transgêneros brasileiros em São Paulo. O diretor Pierre-Alain não resistiu a beleza e feminilidade de Thelma e se apaixonou. Contudo, não houve reciprocidade por parte dela. Mesmo assim, pouco tempo depois, o cineasta faria o filme Thelma, ambientado na Grécia, que conta a história de um homem comum que se apaixona por uma transexual. A produção foi lançada mundialmente em 2001.A morte da divaEm 2001 foi convidada a fazer parte do casting do filme Carandiru, de Hector Babenco, no qual faria o papel de uma travesti presidiária de nome "Lady Di". Entretanto, apesar de ter participado dos ensaios com os outros atores e de ter feito laboratório por meses, sua indicação foi preterida por motivos de marketing. Em seu lugar, entrou o ator Rodrigo Santoro. Esse foi um golpe duro para Thelma, que já estava fragilizada e tentando se recuperar.Já inveteradamente viciada em drogas, em agosto de 2003 ela foi internada em uma clínica de recuperação para dependentes químicos em Atibaia, interior de São Paulo, onde permaneceu até fevereiro de 2004. Após se recuperar, decidiu que não queria mais uma vida de agitação e flashes. Cortou os cabelos e foi para a mesa de cirurgia para retirar as próteses de silicone. Decidiu se mudar com a família para o Jaçanã, bairro paulistano onde passou sua infância. Vivendo pacatamente, fazia planos para a nova vida, quando, repentinamente, na manhã de 9 de novembro de 2004, acordou com o lado esquerdo do corpo paralisado. Era uma neurotoxoplasmose, doença degenerativa que, com o tempo, paralisa órgãos do corpo.Foi internada durante um mês e voltou para casa, vindo a óbito por insuficiência pulmonar na véspera de Natal de 2004.Vida artísticaTeatro•Terezinha de Jesus, de Ronaldo Ciambroni•Filhas da Mãe•Mil e uma noitesTelevisão•Jurada efetiva do quadro Eles & Elas do Clube do Bolinha (TV Bandeirantes)•Participações no Programa Hebe CamargoCinema•Dores de amor, de Pierre-Alain Meier e Matthias Kälin•Thelma, de Pierre-Alain MeierMída impressa•Revista Playboy•O Estado de São Paulo•Revista Transex•Revista Contigo!•Nova Cosmopolitan (editoriais)•Revista Inglesa WEOutros•Festival de Locarno, Suíça (avant-première do filme Thelma)•Campanhas publicitárias diversas para a mídia brasileiraFonte: Wikipédia e GMagazine
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